Aqui é onde a terra se despe
e o tempo se deita..

(Mia Couto, A Varanda do Frangipani)

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Celas de Papel - Uili Bergamin


  O dom literário é inato? Somerset Maugham pensa afirmativamente, e que, portanto não pode ser adquirido ( Décio Osmar Bombassaro). A literatura de Uili é um exemplo clássico dessa afirmação. Claramente arrebatado pelo amor à leitura e escrita, ele tem muito o que nos contar e sabe como colocar as palavras respeitosamente no papel. 
  Com uma poética vasta e rica, nos leva para o centro de suas estórias, colocando personagens Shakesperianos mesclados com vida real, dando liberdade a contos sensíveis e que me fizeram acreditar em uma literatura de valor, possível em nosso tempo. Literatura de vanguarda. Orgulho desse meu conterrâneo. Obrigada Uili.

Em Celas de Papel destaco:

" (...) Creio que poderíamos ter sido felizes juntos. Mas falo dessa felicidadezinha que nós conhecemos ou almejamos. Bem, essa felicidadezinha não servia para ela. Não para ela. A felicidade minha também não era a felicidade dela. Ela queria mais. Queria a felicidade original. Queria que o vento a levasse longe. Ver estrelas que outros olhos não a teriam deixado. A vida plena. Livre. Quanto a mim, creio que nunca mais seria feliz. Até porque, como li certa vez: " Nada é mais fatal para a felicidade que a lembrança da felicidade." 
   Levei anos para compreendê-la. Oh! mal entendido cruel! Oh! teimoso e involuntário exílio do peito amantíssimo! Duas lágrimas indômitas escorrem agora de cada lado de meu nariz. Peguei várias vezes o violino e tentei tocar qualquer coisa. Qualquer coisa que não fosse Vivaldi. Mas agora está tudo em paz. Tudo ótimo. Acaba a luta. Finalmente logrei a vitória sobre mim mesmo. Eu a amo."

"  E se você lesse?
E se você acreditasse?
E se, acreditando, no fundo
dos seus devaneios, você
vivesse realmente aquilo?
E se, ao despertar, você
tivesse de fato vivido aquilo?
Ah! e, então? "

Um livro para domingos solitários. Para lembrar da literatura do Bardo em tempos atuais.
Um bom livro.








Inscritos


Poético mesmo é esse meu pensamento completamente tântrico.

Poeta me sinto agora que aprendi pensar em braile.

Poético, Tântrico, Poeta, Braile.

Tatuar poesia na pele. Na TUA pele, sem te tocar.

Provocar a poeta que dorme em mim. Atiçar palavras que não ousaria acordar.

Falta de pudor intelectual.

( dorme, dorme que passa...)









Meus pensamentos outonais, aportam a ideia de uma vida bem simples. Básica e quase clichê. Adoro os clichês dessa estação. Me fazem bem. Uma lareira, um bom tinto, encorpado e com taninos suaves, em taças grandes. Duas taças. Gosto das cores de agora. Gosto desse frio agradável. Me faz feliz pensar que posso estar aquecida independente do que me fala a temperatura. Gosto do improvável e quase inesperado calor fora de época. Gosto que se repita. Pelo direito de suspirar. ( P.S. esse direito de suspirar, me fez desejar uma taça só, absolutamente intimista dividir o vinho assim. )

( Voltemos à vida, com o desejo de que seja eterna nossa mania bonita de sonhar)





T.U.D.O.



Quero as Paixões
TODAS

Quero as Sensações
FORTES

Quero os Pecados
INTEIROS

Quero os Prazeres
MUNDANOS

Quero os Absurdos
INOMINÁVEIS

Quero os Sabores
PICANTES

Quero os Pensamentos
PROIBIDOS

Quero as Horas
DERRETENDO

Quero a Pele
ERÓTICA

Quero TUDO, Quero AGORA, 
Quero CONTIGO 



( questão de signo,  elemento fogo )





Viver-te


Imagine algo que tenhas lido e gostado muito.
Imagine que alguém pedisse para acreditares naquilo.
E, se no fundo da tua alma algo começasse a mudar
Imagine.

Imagine os sons, as cores.
O cheiro.
Imagine a luz sobre essa tua nova realidade.
Imagine todas essas sensações palpáveis.
Tu consegues sentir?
Consegues imaginar a vida assim?
E, se agora eu te pedisse para me contares como é?
Tens coragem?

Quero saber como é esse teu mundo.
Quero que me deixes tocá-lo.
Sentir o perfume dessas folhas caídas usando teu olfato.
Quero ver pelos teus olhos.
Sentir o braile da minha pele pelo teu toque.

( quero te viver )



sexta-feira, 3 de junho de 2016